Por que ir: cidade histórica, onde Bach e Goethe viveram; e um marco na história recente da Alemanha. Além disso, fica pertinho de Berlim (1h15 de trem).

Antes de ir: 

1) Escolha o dia da viagem de acordo com o dia de abertura do Bunker. Só abre um final de semana  por mês e vale uma visita.

2) Faça uma reserva no Auerbachs Keller. Ele é um dos restaurantes mais antigos da Alemanha, e algumas de suas salas ainda são as originais de 1528. Uma das cenas de Fausto, de Goethe, se passa lá.

Leipzig na história recente da Alemanha

Foi lá que começaram as manifestações pacíficas que acabaram resultando na integração das duas Alemanhas.

Conta-se que o objetivo não era esse: toda segunda-feira à noite pessoas se reuniam na frente da Nikolaikirche (uma das principais igrejas da cidade) para pedir liberdade de ir e vir sem ter que dar explicações. Só isso.

Leipzig_NikolaikircheFoto:  Dirk Goldhahn / Wikimedia Commons / Public Domain

Mas o movimento foi crescendo, e aqueles que queriam o fim do comunismo teriam se aproveitado disso, transformando as manifestacoes pelo direito de ir e vir em uma acao pelo fim do comunismo.

O movimento foi crescendo: em 9 de outubro de 1989 havia 70.000 manifestantes na rua. A essas alturas, eles gritavam “Wir sind das Volk” (Nós somos o povo) e pediam por democracia na Alemanha Oriental. Na segunda-feira seguinte eram 120.000 pesssoas; na próxima, 320.000.

O movimento popular em Leipzig é considerado um dos fatores que levou à queda do Muro de Berlim em 9 de novembro, e, posteriormente, à unificacao da Alemanha.

Cultura em Leipzig

A cidade tem também tradição artística: Johann Sebastian Bach, o compositor, trabalhou como cantor na Saint-Thomas Church por 27 anos. E hoje estão enterrados lá ele, as duas esposas e alguns de seus 20 (!!!!) filhos.

Também Goethe foi figura marcante lá: estudou na cidade e freqüentava o Auerbachs Keller, um dos pubs mais antigos da Alemanha. A adega do pub foi incluída por Goethe em Fausto, sua mais famosa obra.

Dizem que o beef roulade com repolho vermelho e bolinhos de batata que eles servem lá são a comida perfeita para aquecer no inverno. Infelizmente não conseguimos ir no pub dessa vez.

O restaurante está divido em três ambientes:

– Grosser Keller: serve comida alemã, dizem que nos finais de semana a preços “amigáveis”
– Historische Weinstuben: parte chique, restaurante com pratos elaborados
– Mephisto Bar: o que aparece em Fausto; uma cafeteria e o único que fica no sub-solo. 

Além das igrejas, nós visitamos os museus Stasi: o bunker mais bem conservado da Alemanha, há cerca de 30 minutos da cidade, e o museu da “Runden Ecke” (esquina redonda), bem no centro.

O museu do centro é legal, tem vários documentos do período comunista, mas tudo é escrito em alemão. Não consegui aproveitar muito. Já o bunker é uma das coisas mais fantásticas que já visitei e, por sorte, conseguimos uma guia que falava em inglês. Para chegar no Bunker tem que estar de carro.

Como abria às 13h, aproveitamos para almoçar lá perto, numa cidadezinha chamada Wurzel. Comemos num restaurante bem decente, chamado Am Markt. Comida boa e preço normal, um prato de massa ou pizza variando de 8 a 12 euros.

Nos tempos da Guerra Fria

Em seguida fomos para o Bunker, que ficava escondido num desses bairros de jardins que eles têm por aqui. Passando a casinha da foto no começo do post, onde vivia uma pessoa do Exército, fica a entrada do bunker.

Dizem que apenas 10 pessoas sabiam de sua localização. Havia cerca de 50 lugares como esse na Alemanha Oriental, e a informação de onde eles estavam e de quem se esconderia em qual (nesse cabiam 100 pessoas) no caso de um ataque nuclear só seria comunicada no caso real de um ataque.

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Cada Bunker tinha (e esse ainda tem) um “telefone vermelho”, para contato direto com a mais alta autoridade do país. Isso tudo, no auge da Guerra Fria.

O bunker em si não tem nada demais. É exatamente o que se vê nos filmes. Mas estar dentro de um é uma EXPERIÊNCIA surreal!!! Adorei.