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Um mar é uma extensão do oceano, limitada ou cercada quase que totalmente por terra. Alguns dos mares mais conhecidos do mundo são o Mar Mediterrâneo, o Mar do Caribe e o Mar Vermelho.

Nesse post a gente vai falar do Mar Báltico, que fica no norte da Europa e é cercado por 9 países: Alemanha, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Rússia, Estônia, Letônia e Lituânia.

E, também, sobre alguns possíveis roteiros de viagem bem legais nessa região.

O que o Mar Báltico tem de especial?

Ele congela durante o inverno todos os anos. Em média, metade dele; mas sabe-se que ele congelou completamente cerca de 20 vezes. A última foi em 1987.

A água do Mar Báltico é salobra, em função das grandes quantidades de água doce que são depositadas regularmente nele a partir de vários rios europeus (Oder, Neva e Narva, por exemplo).

Como a densidade da água salgada é maior, ela concentra-se no fundo. Por isso, no Báltico, vivem animais tanto de água salgada (como bacalhau) quanto  de água doce.

O Báltico e a Liga Hanseática (séc. XII – XIV)

Durante uma boa parte da Idade Média, o comércio na Europa foi controlado pela Liga Hanseática, uma associação de comerciantes alemães. Eu já escrevi sobre isso nesse outro post.

Pois bem, a Liga, estabelecida no final do século XIII, tem, em seus primórdios, o controle do comércio no Báltico por comerciantes alemães a partir de Lübeck, no século XII (para uma vista 360 graus da cidade, clique aqui).

A partir desse porto, os alemães estabeleceram um posto comercial na ilha de Gotland (Suécia). E, a partir daí, promoveram – e, muitas vezes, controlaram – o desenvolvimento de várias cidades na costa, incluindo Riga (capital da Letônia), Reval (hoje Talin, capital da Estônia) e Gdansk (Polônia).

Negociando produtos entre a Europa Ocidental, onde tinha entrepostos em cidades importantes, como Londres e Bruges (Bélgica), e os países do Báltico, extremamente ricos em recursos naturais, a Liga Hanseática manteve o controle sobre essa região até o século XIV.

Foi nessa época que o desenvolvimento político dos outros países ao redor do Báltico começou a enfraquecer o controle dos alemães sobre essa região, e, uma das consequências, foi o enfraquecimento da Liga.

Entre esses eventos políticos destacam-se uma união entre a Polônia e a Lituânia em 1386 e uma união entre Dinamarca, Suécia e Noruega em 1397 (União de Kalmar, que durou até 1523).

Finalmente, no século XVII, com apoio da Dinamarca, que controlava o acesso ao Báltico, os comerciantes holandeses tornaram-se os principais negociantes de produtos entre o Báltico e a Europa Ocidental, acabando com a supremacia dos alemães da Liga Hanseática.

O Báltico e a Grande Guerra do Norte

No século XVI, enquanto a Liga perdia força, o poder da Suécia crescia. Sua expansão territorial nessa época foi tão grande, que a Suécia passou a ser um dos grandes reinos europeus nos séculos XVII e XVIII.

Império Sueco em 1658. Fonte: Zakuragi / CC 3.0

Um dos fatores que favoreceu essa expansão foi a participação da Suécia na Guerra dos Trinta Anos, da qual já falei nesse post. O país chegou a ter colônias no litoral da África e dos Estados Unidos!!

Nessa fase, os atuais territórios de Estônia e Letônia pertenciam ao Reino Polônia-Lituânia (união que durou de 1569 a 1795). A Suécia, em sua expansão, conquistou parte significativa desses territórios.

Mas, após a Suécia controlar praticamente todas as ilhas do Báltico e a saída de vários rios alemães para esse mar, seus vizinhos começaram a reagir.

E, em 1699, Dinamarca, Rússia e Polônia uniram-se. Juntas, atacaram a Suécia. A Grande Guerra do Norte, que durou até 1721, levou à redução do território sueco ao que hoje mais ou menos corresponde a Suécia e Finlândia.

Império Russo

A Grande Guerra do Norte foi extremamente importante para a história da Rússia, governada então por Pedro, o Grande (1672 – 1725).

Conhecido pela modernização e expansão territorial do país, Pedro era obcecado pelo acesso mar. Ao tomar o litoral do Báltico dos suecos, começou imediatamente a construir uma nova cidade, para onde em seguida levou a corte.

Essa cidade é São Petersburgo, que foi capital do Império Russo de forma praticamente ininterrupta entre 1713 e 1918. Atualmente ela é a segunda maior cidade da Rússia, com mais de 5 milhões de habitantes.

O Báltico após a derrota da Suécia

O maior vencedor da Grande Guerra do Norte foi a Rússia, que continuou sua expansão pelos séculos seguintes (esse vídeo mostra a expansão territorial da Rússia entre 1462 e 1796).

Foi já a partir dessa época que a Rússia ficou com os territórios das atuais Letônia e Estônia, que só voltariam a ser países independentes depois da I Guerra Mundial.

O frágil reino da Lituânia-Polônia desapareceu em 1795, quando foi dividido entre Rússia, Alemanha e Áustria. Lituânia e Polônia só voltariam a existir em 1918.

A Dinamarca, aliada da Rússia na Grande Guerra do Norte, não conseguiu muitos novos territórios. Mas deixou de sofrer a ameaça da Suécia, que manteve apenas controle sobre o atual território da Finlândia.

Em 1809, a Finlândia também foi conquistada pelo Império Russo. Ela foi incorporada como uma província autônoma, o Grão Ducado da Finlândia.

Após a Revolução Russa, em 1917, a Finlândia foi declarada um Estado independente.

União Soviética

Cinco dos nove países que cercam o Báltico foram parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1922 – 1991), liderada pela Rússia. Os outros são a Letônia, a Estônia, a Lituânia e a Polônia.

Um sexto, a Finlândia, embora não seja uma das 15 repúblicas soviéticas, ficou sob influência direta da URSS.

O primeiro país a recuperar sua independência foi a Polônia, em 1989. Letônia, Estônia e Lituânia declararam-se independentes em 1990.

Dinamarca, Suécia e Alemanha

Há muitos séculos, Dinamarca e Suécia adotaram uma postura de neutralidade em relação uma a outra, o que garantiu a manutenção de seus territórios no Báltico (com exceção da perda sueca da Finlândia para a Rússia).

A Alemanha, apesar das muitas perdas territoriais ligadas às duas guerras mundiais, conseguiu manter seu acesso ao Báltico também praticamente inalterado. Lübeck continua sendo o maior porto alemão nesse mar.

Montando um roteiro pelo Báltico

Existem muitas maneiras de  combinar diversos países em uma viagem de uma ou duas semanas por essa região.

E o mais legal é que você pode combinar barco, trem e avião pra tornar o passeio mais interessante.

Viajar de barco

No site Direct Ferries você pode pesquisar os trechos que quer fazer de barco. Dá pra combinar o trecho mais curto de todos (2 horas de viagem), que é de Helsinki (Finlândia) a Talin (Estônia), com um trecho mais longo, que pode ser um desses:

  • de Helsinki (Finlândia) ou Talin (Estônia) até São Petersburgo (Rússia): cerca de 15 horas de viagem
  • de Helsinki (Finlândia) ou Talin (Estônia) até Estocolmo (Suécia): cerca de 18 horas

Estando em Estocolmo, você pode fazer outro trecho longo (18 horas) até Riga (Letônia). Ou trocar de meio de transporte (eu falo das opções em seguida).

Quem gosta de cruzeiro vai encontrar várias informações nesse post do blog Cruise Critic. Resumindo, ele explica que os cruzeiros no Báltico geralmente vão de Copenhagen (Dinamarca) a Estocolmo (ou vice-versa), parando em São Petersburgo (Rússia), Helsinki (Finlândia) e Talin (Estônia).

Já os cruzeiros longos podem chegar a 14 noites de viagem e incluir também Riga (Letônia), Gdansk (Polônia) e Hamburgo (Alemanha), entre outros portos.

Viajar de avião

De avião é fácil viajar entre todas as principais cidades do Báltico. Elas ficam tão perto umas das outras que você provavelmente vai levar mais tempo para ir do hotel ao aeroporto do que voando entre elas.

Um roteiro comum para quem está usando esse meio de transporte é visitar capitais de países Escandinavos:

  • Copenhagen (Dinamarca) – Estocolmo (Suécia): 1h10 de viagem
  • Estocolmo (Suécia) –  Helsinki (Finlândia): 55 min de viagem

Aí vale a pena se afastar um pouquinho do Báltico para conhecer o país escandinavo que falta, a Noruega. Eu já escrevi sobre esse país lindo no post Pra entender a Noruega.

Outro roteiro fácil de fazer de avião é visitar as capitais dos três “Estados Bálticos”:

  • Talin (Estônia) – Riga (Letônia): 50 min
  • Riga (Letônia) – Vilnius (Lituânia): 50 min

Avião também é uma opção interessante para chegar em Gdansk (Polônia). O vôo a partir de Copenhagen (Dinamarca), por exemplo, leva apenas 1h10 de viagem.

Viajar por terra

Conhecer as três capitais dos “Estados Bálticos” por terra também é uma boa opção. Várias operadoras de turismo oferecem esse roteiro de ônibus. Aqui tem um pacote brasileiro, da empresa Mala e Cuia.

E, claro, você pode viajar de ônibus por conta própria. Segundo o post do blog Baltic Travel essa opção é melhor do que trem, que ainda não foi modernizado na região.

Já pra se movimentar entre os outros países ao redor do Báltico, trens funcionam bem. Algumas sugestões:

  • de Copenhagen (Dinamarca) para Malmo (Suécia): 36 min de viagem. Eu fiz essa e recomendo
  • de Copenhagen (Dinamarca) para Estocolmo (Suécia): 5h30 de viagem
  • de Helsinki (Finlândia) para São Petersburgo (Rússia): 2h30 (muito mais rápido do que de barco)
Roteiro misto

Acho que uma das coisas mais interessantes dessa região é poder conhecer várias culturas em poucos dias.

Então, minha sugestão para quem nunca andou por lá, é combinar uma das cidades tipicamente escandinavas (Estocolmo, por exemplo), com um porto da Liga Hanseática (Talin, Riga, Lübeck) e São Petersburgo (a cidade fundada por Pedro, o Grande, quando conquistou para a Rússia o acesso ao Báltico).

Tendo tempo, dá pra incluir ainda a Polônia e a Alemanha no roteiro. Além de Gdansk e Lübeck, vale a pena conhecer também Rostock e Stralsund.

Pra terminar

Ainda não cansou de cidades no Báltico? Então espia aqui uma lista bem maior de cidades  ao redor desse mar.

Já está programando a viagem? O blog Vai para o Mundo tem dicas super legais sobre São Petersburgo e Moscou (Rússia), Helsinki (Finlândia) e Estocolmo (Suécia).

E, se você ficou curioso sobre os outros mares do mundo, confere o blog ThoughtCo., que tem umas fotos bem legais, ou o QuickGs, que mostra em um mapa a localização dos 18 maiores.