A Hungria, no centro da Europa, desenvolveu-se com uma cultura e idioma únicos.

O fato de o país estar localizado entre três cadeias de montanhas, os Alpes, os Balcãs e os Cárpatos, contribuiu para preservar um idioma trazido do leste dos Montes Urais (Ásia).

Esse idioma, o húngaro ou magiar, foi trazido para a região por tribos nômades, no século X.

E é um dos poucos idiomas urálicos ainda falado por uma população significativa nos dias de hoje, como você pode ver na árvore pequena que aparece nessa imagem:

Fonte: The Guardian

A capital do país, Budapeste, inspirou Chico Buarque a escrever um livro com o mesmo nome.

O personagem principal, que luta para aprender o idioma, passeia pelos dois lados da cidade, Buda e Peste, cada uma de um lado do rio Danúbio (elas tornaram-se uma cidade só apenas no século XIX).

Buda é onde as tribos nômades instalaram-se no ano 896 (data oficial de fundação da Hungria).

Peste, nessa época, já existia do outro lado do rio (era um assentamento de povos eslavos).

Os nômades magiares, a partir de Buda, criaram e consolidaram um reino que se expandiu e se manteve autônomo por 6 séculos.

Mesmo a partir do século XVI, quando a Hungria passou a pertecer primeiro ao Império Otomano e, depois, ao Habsburgo, a região conseguiu manter certa autonomia, o que possibilitou sua independência como nação após a I Guerra Mundial.

Hoje a Hungria é parte da União Europeia e sua capital, Budapeste, é uma das 20 cidades mais visitadas da Europa.

Destruída e reconstruída muitas vezes, Budapeste é hoje uma cidade com muitos prédios do final do século XIX, incluindo o Parlamento, às margens do rio Danúbio.

Essa arquitetura é uma herança do tempo em que a cidade foi uma das capitais do Império Austro-Húngaro (1867-1918).

Nesse post a gente vai falar sobre o povo e o idioma magiares e sobre como Budapeste transformou-se de um assentamanto de tribos urálicas nômades em um dos destinos mais visitados da Europa.

O idioma húngaro

Pra entender o curioso idioma falado nesse vídeo de 2 min pela modelo húngara Barbara Palvin, a gente tem que voltar alguns milhares de anos atrás e entender o caminho que seus antecepassados fizeram.

Tudo começou nos Montes Urais, na Ásia, lá no canto superior direito desse mapa.

Doze mil anos atrás viviam por lá povoações conhecidas como Fino-Úgricas.

Eles levaram onze mil anos para chegar onde é hoje a Hungria, no centro da parte inferior do mapa, entre os Cárpatos e os Alpes Dinárticos.

Fonte: Recursos de Ciencias Sociales, Geografia e Historia

Provavelmente em torno do ano 2000 AC, um dos grupos Fino-Úgricos, os Úgaros, atravessou os Montes Urais e instalou-se na Sibéria Ocidental.

Dois mil e quinhentos anos depois, parte dessa população, conhecida hoje como proto-magiar, migrou para as margens do rio Volga (um pouco abaixo no mapa).

Os proto-magiares eram tribos nômades. No século VIII, algumas dessas tribos migraram para as margens do rio Don.

E, em torno do ano 830, sete dessas tribos cruzaram o rio Dnieper, intalando-se entre ele e uma cadeia de montanhas na Europa Ocidental, os Cárpatos (já no centro do mapa).

Outras 3 tribos de origem turca, os khazares, vieram com eles. Juntas, as dez tribos formavam a Confederação On-Ogur (ou Confederação das Dez Tribos).

A vida na Europa nessa época era agitada. Esse era o tempo em que estava se formando o Sacro Império Romano Germânico.

Em 892, o imperador Arnulf pediu ajuda às tribos da Confederação On-Ogur para controlar um ducado que existia entre os Cárpatos, os Alpes e os Balcãs.

Foi assim que os magiares chegaram ao local onde fica a Hungria hoje. Só que, ao contrário da expectativa do imperador, eles não saíram mais de lá.

Eles mantiveram seu idioma. Nele, os húngaros referem-se a si mesmos como magiares (magyar). Por isso, sua língua também ficou conhecida como magiar.

Seu idioma urálico sobreviveu e, por isso, que ele é tão diferente dos outros idiomas falados na Europa.

E isso explica como o idioma falado na Hungria é tão diferente dos outros idiomas europeus.

Fica fácil de entender com a ajuda dessa imagem:

Os húngaros, em seu idioma, referem-se a si mesmos como magiares (magyar).

O idioma húngaro (ou magiar) é atualmente falado não apenas na Hungria, como também na Transilvânia (Romênia) e na Eslováquia, além de ser o idioma de alguns grupos populacionais na Croácia, Sérvia, Áustria e Ucrânia.

O Reino da Hungria (896 – 1526)

Antes dos magiares chegarem à planície da Panônia (ou Bacia dos Cárpatos), ela já era habitada há milhares de anos.

Há vestígios de assentamentos na área desde a Idade da Pedra Polida (Neolítico, que vai de 7.000 a 2.500 AC).

Mais tarde, os celtas estiveram por lá e fundaram uma vila chamada Ak-Ink (que significa “água abundante”).

Depois, os romanos estabeleceram lá um campo militar. A localidade, agora parte da província romana Pannonia, passou a ser chamada Aquincum.

Com a queda do Império Romano, Pannonia foi ocupada por diferentes povos (hunos, visigodos, ávaros, eslavos), até a chegada das dez tribos nômades que formavam a Confederação On-Ogur.

A chegada dos Magiares

Liderados por Árpád, chefe da mais poderosa das dez tribos, estima-se que entre 250 e 450 mil pessoas rapidamente cruzaram os Cárpatos e ocuparam a região.

A propósito, a palavra húngaro vem do nome da confederação (On-Ogur).

Pelos dez anos seguintes, o Sacro Império Romano Germânico tentou recuperar a região, sem sucesso.

Árpád estava firmemente estabelecido com sua tribo na área central e, gradualmente, foi expandindo seu controle.

Seus descendentes conseguiram estabeleceram relações harmoniosas com os imperadores do Sacro Império Romano Germânico.

Em 974, seu bisneto Géza foi recebido pelo imperador Otto II na então capital do império, a cidade de Quedlinburg (hoje parte da Alemanha).

E, no ano 995, seu tataraneto István casou-se com uma princesa da Bavária (um dos reinos que formavam o Sacro Império Romano Germânico).

Formação do Reino da Hungria

Cinco anos depois, István foi coroado pelo Papa Silvestre II como Rei da Hungria.

Isso transformou a terra dos magiares em um reino cristão, o que o colocava a mesma altura dos outros reinos europeus da época.

A coroa recebida por István tornou-se um dos símbolos da nação húngara e encontra-se atualmente exposta no prédio do Parlamento, em Budapeste.

Foi durante seu reinado como István I que o assentamento magiar migrou de onde era a romana Aquincum para o local onde hoje é Buda.

O assentamento original passou a ser chamado Óbuda (antiga Buda).

Após sua morte, o primeiro rei da Hungria foi canonizado e passou a ser conhecido como Szent István (São Estevão). Ele tornou-se o santo padroeiro do país.

A dinastia Árpad governaria a Hungria até 1270.

Alguns dos mais importantes reis húngaros desse período foram Coloman (reinado 1095-1116), Bela III (1173-1196) e Bela IV (1235-1270).

Coloman, o Dono dos Livros

Coloman, conhecido como “o dono dos livros” (Coloman The Possessor of the Books), além de expandir as fronteiras do reino, foi um dos mais cultos reis da Europa nessa época.

Ao contrário do que pregava a Igreja, ele proibiu a caça às bruxas, dizendo que elas não existiam.

Bela III e o Império Bizantino

Durante o reinado de Béla III, a Hungria tornou-se um dos países mais importantes da Europa.

Ainda criança, o nobre Béla herdou de seu pai os ducados da Croácia e da Dalmácia.

Poucos anos depois, como resultado de um acordo entre a Hungria e o Império Bizantino, Béla foi prometido em casamento para a filha do imperador e envido para Constantinopla para ser educado lá.

Mas quando o imperador teve seu próprio filho, o acordo foi desfeito.

Alguns anos depois, quando o rei da Hungria István III, irmão de Béla, morreu sem filhos, Béla tornou-se um dos pretendentes ao trono húngaro.

Ele fez, então, um acordo com o imperador bizantino: em troca de nunca atacar o império durante a vida do imperador, obteve uma grande soma em dinheiro, que contribuiu para financiar sua campanha como rei da Hungria e, também, seu futuro reinado.

Isso fez com que Béla, ao contrário de seus antecessores, fosse um rei muito rico. Assim como os outros reis, ele possuia grande parte das terras do reino.

Mas, graças ao acordo com o Império Bizantino, Béla detinha também monopólios sobre cunhagem, alfândega e mineração, o que gerava rendas adicionais – para eles mesmo e seu reino.

Outro elemento interessante do reinado de Béla é que ele casou-se com a irmã do rei francês Louis VII, o que contribuiu para a transformação cultural da corte húngara, tornando-a parecida com a corte francesa.

Bela IV, o segundo fundador da Hungria

Béla IV foi o último rei importante da dinastia Árpád. Ele enfrentou momentos bem difíceis.

Quando tornou-se rei, seu antecessor havia perdido terras e poder para a aristocracia.

Além disso, em 1242, a Hungria foi atacada e ocupada pelos mongóis durante um ano. Metade da população morreu nesse período.

Quando eles retiraram-se e Bela voltou de seu exílio na Dalmácia, teve que reconstruir o país. Isso incluiu a atração de estrangeiros, com o objetivo de repor a população dizimada.

Ele entrou na história como o segundo fundador do país.

Ao longo de seu reinado ele também precisou evitar uma segunda tentativa de invasão dos mongóis (1261) e controlar os avanços do Reino da Boêmia, um dos outros grandes poderes da Europa na época, (sobre a qual já falei no post sobre Praga).

Depois da dinastia Árpád: o Reino da Hungria governado por estrangeiros (1301 – 1458)

Depois da morte do último Árpád, por 150 anos o Reino da Hungria foi governado por estrangeiros que tinham alguma relação com a dinastia anterior.

Muitos deles tinham também outras coroas, e vários viveram a maior parte de suas vidas em seus outros reinos.

Governaram a Hungria nesse período um rei da Boêmia (Wenceslau I), um da Bavária (Otto), vários de Nápoles (começando com Charles de Anjou), um de Luxemburgo (Sigismund), um Duque da Áustria (Albert II) e dois reis da Polônia (Vladislau III e Lázlo V).

No ano 1458, quando Lázlo V morreu, cansados de estrangeiros, os nobres húngaros aclamaram Mátyás Hunyadi como rei.

Foi a primeira vez em que um membro da nobreza sem qualquer relação com as antigas dinastias recebeu o título de rei da Hungria.

Mátyás I (1458-1490)

Mátyás era filho de János Hunyadi.

János pertencia à baixa nobreza húngara, mas, graças ao seu talento militar, ele escalou os rankings políticos e financeiros da época.

Em 1446, János foi escolhido para efetivamente governar o reino, já que, no trono, estava o pequeno Lázlo V, a essas alturas com apenas 6 anos de idade.

Embora János não tenha conseguido evitar a tomada de Constantinopla pelos turcos (1453), ele contribuiu significamente para a vitória sobre os turcos em Belgrado (hoje capital da Sérvia), o que manteve os turcos longe da Hungria por mais 70 anos.

János morreu de uma epidemia que atingiu o campo militar após a vitória em Belgrado (1456).

A avó de Lázlo V, sabendo do valor que János tinha para os húngaros e temendo que um dos filhos do militar pudesse ser eleito rei, mandou decapitar o filho mais velho de János e prender o mais novo, Mátyas, que foi enviado para Praga.

Quando Lázlo morreu, dois anos depois, os nobres húngaros elegeram Mátyas como rei e conseguiram resgatá-lo da prisão.

Mátyas entrou na história como um dos melhores reis da Hungria, o que pode ser uma distorção causada pelo fato de ele ser o primeiro húngaro a governar o país desde o fim da dinastia Árpád.

É inegável, porém, que seu governo não apenas impediu a ocupação turca, como também expandiu as fronteiras húngaras.

Além disso, Mátyas era considerado um clássico “príncipe da Renascença”: além de ótimo soldado, ele escutava seu Concelho, dava autonomia aos Condados, era um excelente administrador e promovia o conhecimento e as artes.

Nos últimos anos de sua vida, a Hungria chegou a ameaçar o poder da Boêmia e da Áustria, ocupando alguns de seus territórios.

Mátyas estava prestes a assinar um acordo com o novo Imperador do Sacro Império Germânico, Maxiliano I, quando morreu de repente.

O declínio do Reino da Hungria

A nobreza húngara, que havia sido forçada a pagar mais impostos durante o reinado de Mátyas, queria agora um rei fraco.

E, por isso, elegeram novamente um estrangeiro, Ulázsló II (ou Vladislas II), que já era rei da Boêmia.

Eles também desmontaram as forças militares que haviam sido criadas e fortalecidas durante o reinado de Mátyas e deixaram as fortalezas do sistema defensivo húngaro abandonadas.

As condições de vida dos camponeses deterioram-se, resultando em revoltas e na retirada de seus direitos de livre movimentação que haviam sido conquistados nos anos anteriores.

Quando Ulázsló II morreu (1516), seu filho de 9 anos foi proclamado rei. Cinco anos depois, o sultão (imperador turco) exigiu que a Hungria começasse a pagar impostos para o Império Otomano.

Tendo seu pedido negado, o sultão avançou em direção à Hungria (1526).

O exército organizado pelos húngaros para defender o reino era tão insignificante que foi praticamente aniquilado na primeira batalha. Entre os mortos estava o rei.

O sultão ocupou Buda em setembro, mas não tinha interesse em ficar, e partiu um mês depois.

Havia dois candidatos ao trono húngaro: o líder militar da Transilvânia, János Zápolya, e o arquiduque da Áustria, Ferdinand de Habsburgo.

János pediu ajuda aos turcos, que conseguiram colocá-lo em Buda e limitar o poder de Ferdinand ào oeste do país, mas exigiram a submissão da Hungria ao Império Otomano em troca.

Em 1538, János e Ferdinand assinaram um tratado secreto em que eles concordavam que, após a morte de János, seu sucessor seria Ferdinand.

Porém, quando János morreu (1540), os nobres elegeram seu filho, então um bebê, como rei.

E, quando Ferdinand reclamou o trono, o sultão turco protegeu o filho de János, garantindo que ele ficasse com a coroa.

Em seguida, o sultão ocupou a maior parte do território de seu protegido, incluindo Buda (1541).

Hungria como parte do Império Otomano (1541 – 1686)

A partir de então, a Hungria estava dividida em três partes, como mostra esse mapa:

Fonte: Encyclopædia Britannica

A Hungria Real, em laranja, era governada por Ferdinand e sua família, os Habsburgos da Áustria; a Transilvânia, por príncipes eleitos que eram, na prática, vassalos do Império Otomano; todo o resto do país, incluindo Buda, foi incorporado como parte do Império Otomano.

Durante a maior parte desse período, os habitantes da Hungria Real sentiram-se abandonados, já que os imperadores austríacos não faziam muitos investimentos na região e deixaram-na praticamente abandonada.

A situação chegou a tal ponto que a nobreza húngara pediu ajuda aos turcos para conseguir expulsar os Habusburgos da região.

As forças turcas passaram pela Hungria e chegaram a cercar Viena (1683), que teria sido ocupada se não tivesse recebido ajuda da Polônia.

Pintura da época mostrando o cerco de Viena. Autor: Frans Geffels (domínio público)

Mas, depois da fracassada tentativa de tomar Viena, os otomanos foram lentamente sendo expulsos da da Hungria Real. Buda seria perdida logo depois, em 1686.

O processo culminou na assinatura do Tratado de Carlowitz (1699), que resultou no controle dos Habsburgos sobre uma Hungria Real estendida.

Já a Transilvânia, que havia conseguido barganhar bem com os dois impérios durante a maior parte do período, foi reconhecida como principado independente.

Sob o governo da Áustria (1687 – 1867)

O grande vencedor foi o Império Habsburgo.

Os “libertadores”, porém, saquearam e destruíram o país e impuseram um governo totalitário.

A situação para os húngaros só melhorou um pouco no governo dos imperadores Carlos III (1711-1740) e de sua filha Maria Teresa (1740-1780).

Carlos e Maria não estavam interessados na Hungria e apenas convocavam os representantes do país quando precisavam pedir dinheiro. Isso possibilitou aos húngaros certa autonomia.

O Império Austríaco não incluiu a Hungria nos subsídios à industrialização que estavam promovendo o desenvolvimento da Áustria e da Boêmia.

Pior, impuseram altas tarifas alfandegárias para trocas comerciais da Hungria com qualquer outra região que não fosse parte do Império.

A Hungria, assim, tornava-se cada vez mais dependente da Áustria, que era praticamente a única compradora de sua produção, que continuava sendo basicamente agrária.

Os húngaros, cansados de guerra, aceitaram a situação – e até mesmo a imposição do alemão como idioma oficial – por mais de cem anos.

Mas, a partir do final do século XVIII, influenciados pela Revolução Francesa, pelas revoltas liberais em diversas partes da Europa e pelos movimentos nacionalistas, os húngaros também começam a buscar seu espaço cultural e político.

O idioma magiar tornou-se a língua oficial da literatura, da poesia e dos meios culturais em geral. E, em 1849, a Hungria auto-declarou-se independente.

A Áustria precisou de ajuda militar do Império Russo para conseguir retomar o controle sobre a região.

Alguns anos depois, a Áustria, enfraquecida por derrotas militares e territoriais para a Itália (1859) e para a Prússia (1866), finalmente cedeu às pressões húngaras e aceitou a criação de uma monarquia dual, com sedes em Viena e Budapeste.

Império Austro-Húngaro (1867 – 1918)

Na prática, a Hungria passaria a controlar suas questões internas. Enquanto que, nas áreas de política externa e defesa, aceitaria um ministro comum para os dois países.

O acordo também restaurava o território húngaro original, com incorporação da Transilvânia.

Império Austro-Húngaro. Fonte: Blog Historia Total

Muita coisa mudou na Hungria nesse período.

União aduaneira com a Áustria, reorganização administrativa, modernização do sistema judicial, revisão das relações entre Estado e Igreja, valorização do idioma e cultura magiar.

Embora a industrialização tenha se desenvolvido pouco, a urbanização explodiu: a população de Budapeste foi de 270 mil para 1 milhão de habitantes.

A maioria da população do país, porém, continuava pobre, o que levou a um grande movimento de emigração, principalmente para os Estados Unidos: estima-se que que cerca de 1,8 milhões de húngaros tenham feito essa rota entre 1880 e 1914.

Politicamente foram anos conturbados.

Dentro da Hungria havia fortes disputas de grupos a favor e contra a monarquia dual.

E, na Europa em geral, surgiam os primeiros sinais do que se transformaria na I Guerra Mundial.

Hungria nos séculos XX e XXI

Foi nessa região em que ocorreu o estopim da I Guerra Mundial: o assassinato do arquiduque austríaco Franz Ferdinand (já falamos sobre isso no post sobre os Balcãs).

A derrota da Tríplice Aliança em 1918 levou à desintegração do Império Austro-Húngaro.

Nos tratados de paz, a Hungria foi reconhecida como Estado independente, porém ficou com apenas um terço do seu território.

Do dia para a noite, mais de 3 milhões de húngaros passaram a ter outras nacionalidades.

O resto do território húngaro passou a fazer parte de dois novos países: a Romênia e o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (futura Iugoslávia).

Durante a II Guerra Mundial, buscando recuperar seus territórios perdidos, a Hungria uniu-se à Alemanha e, como consequência, foi ocupada pelo exército soviético em 1945.

Embora tenha sido parte do Bloco Soviético entre 1945 e 1989, a Hungria foi um dos países que desfrutou de maiores liberdades no período.

Um exemplo disso é a rua Váci, em Budapeste. Durante o período comunista, era possível encontrar lá uma ampla variedade de artigos ocidentais.

Budapeste, durante a Guerra Fria, foi considerada a mais capitalista das cidades do Bloco Soviético.

Os investimentos estrangeiros no país começaram ainda na década de 1980.

E, quando a Hungria tornou-se independente (1989), rapidamente aderiu às instituições europeias (OTAN em 1999 e União Europeia em 2004).

A política interna do país, porém, é conturbada.

Desde 2010 o país tem o mesmo primeiro ministro, Viktor Orbán, líder do partido Fidesz, de centro-direita e, em geral, considerado populista.

A postura nacionalista do governo durante a crise de refugiados da Síria para a Europa em 2015 levou à uma percepção negativa do país na mídia internacional.

Esses são alguns dos fatores que fazem com que a Hungria seja considerada por muitos como “uma das democracias mais problemáticas da Europa“.

O país tem, ainda, um dos menores PIB per capita do continente europeu. A maior parte da renda vem do setor de Serviços, com destaque para o turismo.

Dez por cento dos empregos na Hungria são relacionados a esse setor e, considerando impacto indireto, o turismo representa 10% do PIB do país (dados OCDE).

Além da capital Budapeste, principal destino dos turistas estrangeiros, destaca-se também o turismo no Lago Balaton (80 km de Budapeste), que é o maior lago da Europa Central, com quase 600 km².