A cidade de Granada fica na Andaluzia, uma das 17 Comunidades Autônomas que forma a Espanha.

A área total da Andaluzia corresponde mais ou menos ao tamanho da Áustria ou, comparando a um estado brasileiro, ao de Santa Catarina.

Fonte: Geografia Infinita

Cada Comunidade Autônoma espanhola é composta por uma ou mais províncias. A Andaluzia é formada por 8, das quais as maiores são Sevilha, Córdoba, Granada e Jaen.

Normalmente, um roteiro pela Andaluzia inclui as cidades de Sevilha, Córdoba e Granada (capitais das províncias de mesmo nome).

As três foram, cada uma a seu tempo, a cidade mais importante para os muçulmanos da Espanha (séc VIII – XV).

Atualmente as três constam na lista de Patrimônio Histórico da Humanidade da UNESCO.

Além dos deslumbrantes prédios de arquitetura árabe, a região também é famosa pelo flamenco e pelos tapas, que nasceram por lá e são hoje símbolos da Espanha.

Eu já escrevi sobre a história da Andaluzia no post Al-Andalus, a Espanha Muçulmana. Nesse aqui nós vamos falar mais especificamente da cidade de Granada.

Ela é famosa pela Alhambra, um dos três locais da cidade considerados Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO.

Os outros dois são o Generalife, casa de verão dos sultões, e o bairro Albaicín, que existe pelo menos desde o tempo dos muçulmanos e ainda mantém o traçado original das ruas.

Leia aqui o post que eu escrevi sobre a Alhambra, o Generalife e o Albaicín.

Nesse aqui a gente vai falar sobre alguns outros motivos para conhecer Granada, incluindo a primeira igreja renascentista da Espanha; o bairro cigano, onde se dança flamenco em grutas; e bares de tapas onde a gente paga pela bebida e ganha a comida de graça.

Pequena história de Granada

Se você já leu o post sobre a história da Andaluzia, sabe que a parte mais importante da história de Granada foi do século XIII ao XV.

Os muçulmanos já haviam sido expulsos do resto da Península Ibérica, mas permaneceram em Granada.

Lá resistiriam por mais 250 anos, durante os quais mantiveram e desenvolveram a cultura e arquitetura árabe na Europa.

Mas a história da cidade começou bem antes disso. 

Antes da chegada dos muçulmanos (até 711)

A origem da cidade é nebulosa, mas achados arqueológicos indicam que a região é ocupada desde o tempo dos íberos (5 mil anos atrás).

Há cerca de 1600 anos, havia dois grupos populacionais na região.

Um, romano, vivia na encosta onde hoje fica o bairro Albaicín. Moedas e documentos da época indicam que essa área era chamada Illiberis.

Outro, judeu, vivia na área onde é hoje o bairro Realejo.

Na fase seguinte, em que a Península Ibérica estava sob controle dos visigodos (séc VI – VII), na área onde os romanos viviam, no alto da colina de San Cristóbal, já havia uma fortelza.

Os primeiros muçulmanos (711 – 1012)

Eles chegaram destruindo tudo. Mas, em seguida, reconstruíram a fortaleza no topo da colina de San Cristóbal, onde hoje fica o bairro Albaicín.

Nesses primeiros três séculos de domínio muçulmano, o centro do governo estava em Córdoba, há cerca de 160 quilômetros dali.

Granada, nessa época, era pouco importante e tinha poucos habitantes.

Disputas entre os diversos grupos muçulmanos da Península Ibérica no século XI resultaram na divisão do Califado de Córdoba em vários pequenos reinos (taifas).

A área de Granada tornou-se sede de um desses reinos, governado pelos Ziris, uma família berbere (muçulmanos do norte da África).

Taifa Ziri (1013-1091)

Foi nessa época que a capital da província, que até então era Medina Elvira, a 12 km de distância, foi transferida para Granada.

A Porta Elvira (Bib Elvira), principal acesso à cidade nesse tempo, ainda está em pé.

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Os Ziris instalaram-se no alto da colina de San Cristóbal, dando origem ao bairro Albaicín (uma das três áreas da cidade considerada Patrimônio Histórico da Humanidade).

Para sua defesa, construíram uma fortaleza, a Alcazaba Cadima, aproveitando algumas partes daquela primeira construção romana.

Com o passar do tempo, os muros foram estendidos e reforçados. A parte norte da muralha ainda está lá.

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Além dessa área militar, na região foram construídos palácios.

E, também, dentro e fora das muralhas, foi desenvolvendo-se uma área residencial.

Outros povos muçulmanos chegam na Espanha: Almoravids e Almohads (1091-1232)

O governo Ziri não durou muito: no final do século XI as taifas foram substituídas por um governo muçulmano centralizado.

Isso aconteceu porque, em 1085, os muçulmanos perderam Toledo para os cristãos.

Percebendo que precisavam de ajuda, os muçulmanos da Espanha chamaram os Almoravids, um povo muçulmano que, na época, controlava o norte da África.

Deu certo, em parte. Os Almoravids resolveram ficar, ocuparam Sevilha e fizeram dela a capital do mundo muçulmano na Espanha, acabando com o período das taifas independentes.

Mas manter suas conquistas não era fácil e, menos de cem anos depois, os Almoravids perderam sua capital na África, Marraquesh, para outros berberes, os Almohads.

Claro que os Almohads também queriam a Espanha e, em 1172, ocuparam Sevilha e assumiram o controle do reino.

O avanço dos cristãos

Enquanto os muçulmanos brigavam entre si, os cristãos aproveitavam para ir gradualmente expandindo mais e mais o seu território.

Em 1248, eles chegaram ao coração do mundo árabe na Espanha: Sevilha.

Nesse ano ela passou a pertencer ao reino de Castela.

Depois disso sobraram apenas duas áreas muçulmanas na península: os reinos de Múrcia (que não resistiu muito) e de Granada.

Granada aceitou tornar-se um reino vassalo de Castela, e, foi assim, que os muçulmanos conseguiram permancer na Península Ibérica por mais 250 anos.

Reino de Granada (1232 – 1492)

Na época da ocupação de Sevilha, Granada era controlada por uma família Almoravid, os Nasrids (Nazaries em espanhol).

Eles estão diretamente associados ao período áureo de Granada e da Alhambra, e são os seus palácios que fazem milhões de turistas irem à cidade todos os anos.

Os palácios Nazaries ficam no complexo da Alhambra.

Lá também existe uma fortaleza (Alcazaba), muitos jardins, um palácio renascentista e outros marcos da antiga cidade, fundada por muçulmanos e, posteriormente, ocupada pelos cristãos.

A cerca de 20 minutos a pé fica o Generalife, outro complexo muçulmano, também considerado Patrimônio Histórico da Humanidade.

Quando a gente compra ingresso para a Alhambra, normalmente a visita ao Generalife está inclusa.

Ele era a casa de campo dos reis Nazaríes. Enquanto a Alhambra destaca-se pelos palácios, o Generalife, que também tem um palácio, destaca-se pelos jardins.

Granada e os Reis Católicos Isabel e Fernando

Em 1482 começou uma guerra entre o Reino de Granada e o Reino de Castela e Aragão, governado por Isabel e Fernando, os Reis Católicos.

O último sultão da dinastia Nazari, Boabdil, para preservar a cidade, entregou a Alhambra para os cristãos em 2 de janeiro de 1492. Isso marca o fim do período histórico conhecido como Reconquista (a data é feriado em Granada).

Tendo resolvido o problema local, os reis Isabel e Fernando, de quem já falei no post sobre a história da Espanha, puderam dedicar-se a outros assuntos.

Como apoiar a viagem de Cristóvão Colombo, que resultaria na descoberta das Américas.

Esse é o início da expansão ultramar da Espanha, que a transformaria em um grande império nas décadas seguintes.

Existe um monumento na cidade homenageando a rainha e o navegador.

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Granada significou tanto para Isabel e Fernando que, em seus últimos dias de vida, em 1504, ela assinou um documento ordenando a construção de uma capela na cidade, onde ela e Fernando deveriam ser enterrados após sua morte.

A capela ficou pronta em 1517, quando Fernando também já havia morrido.

Logo os restos mortais do casal foram levados para lá, onde estão até hoje.

Quando a capela começou a ser construída, já havia o plano de que ela seria parte da futura Catedral de Granada, cuja obra começaria apenas em 1523.

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Para os interessados em arquitetura, esse prédio tem uma história interessante: originialmente ele foi projetado em estilo gótico, como a catedral de Toledo.

Mas, quando o arquiteto morreu, seu substituto foi um italiano que convenceu o Imperador Carlos I a seguir um novo estilo: o renascentista italiano.

A catedral é, assim, a primeira igreja renascentista da Espanha. Exceto por sua fachada, que foi construída um século depois em estilo barroco.

Mais detalhes dessa função toda podem ser encontrados aqui.

Pertinho da Catedral existe um prédio comercial, chamado Alcaiceria. Ali ficava um bazar árabe, destruído por um incêndio no século XIX.

Embora o prédio atual seja uma reconstrução, vale a pena circular pelo mercado de estilo árabe e cheio de lojinhas de souvenir.

Granada como parte da Espanha

Após a incorporação pelos cristãos, Granada perdeu sua importância e grande parte de sua população.

Mas isso possibilitou um desenvolvimento arquitetônico interessante, em dois aspectos.

Primeiro, foi a evolução da cidade. O traçado muçulmano do bairro Albaicín foi mantido, mas começaram a ser construídos palácios renascentistas e barrocos na área.

Essa mistura é um dos fatores que contribuiu para a decisão da UNESCO de classificar o bairro como Patrimônio Histórico da Humanidade.

Segundo, o surgimento dos Carmens. Os muçulmanos tinham o hábito de construir sítios fora dos muros da cidade (karms).

Quando eles foram embora, os cristão ocuparam essas propriedades e alteraram seu estilo, ampliando as casas e transformando-as em mansões.

Já no século XVIII, ter uma dessas casas era símbolo de riqueza, como explica esse artigo.

Com o passar do tempo, palácios barrocos foram sendo construídos na cidade e, hoje, muitos deles também são chamados de carmens.

Embora a maioria dessas casas sejam privadas, algumas são abertas para visitação, como o Carmen dos Mártires, pertinho da Alhambra.

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Flamenco, a música e dança da Andaluzia

A Comunidade Autônoma da Andaluzia é famosa como berço do flamenco, estilo de música e dança que virou símbolo da Espanha.

Embora seja impossível rastrear sua origem, sabe-se que foram os ciganos, que chegaram no Reino de Granada no século XV, que preservaram o estilo ao longo dos séculos.

Mas por que o flamenco é associado aos ciganos da Andaluzia e não aos ciganos que vivem em outras regiões do mundo?

Bem, os ciganos (gitanos em espanhol) são um povo nômade (Romas, originários da India).

Alguns deles chegaram à Granada no século XV, durante o período de governo muçulmano.

Eles instalaram-se no monte Valparaíso, do lado externo dos muros da cidade. As cavernas da região serviam como casa.

Depois da Reconquista, judeus e muçulmanos foram expulsos de Granada. Eles encontraram refúgio entre os ciganos.

Isso explica o crescimento repentino da população “cigana” do bairro que se formava na colina Valparaíso: Sacromonte.

Outra mudança imposta pelos cristãos foi a proibição das tradições musicais anteriores à sua chegada, que misturavam canto e dança árabe, judaica e berbere.

Essas tradições foram mantidas pelos ciganos, que foi quem preservou o flamenco pelos séculos seguintes.

O flamenco só seria reconhecido como um estilo musical na metade do século XIX.

O blog Flamencópolis conta mais sobre essa história.

Bairro Sacromonte e os ciganos de Granada

Os ciganos de Sacromonte praticavam um ritual de casamento chamado zambra (do árabe zamr, que significa festa), pelo menos desde o século XVII.

No século XIX, a cultura cigana havia virado moda na Europa, graças à publicação de livros sobre eles no período artístico chamando de Romantismo (mais sobre isso no artigo “A Europa Inventa os Ciganos“).

Nesse contexto, o pintor espanhol Mariá Fortuny passou uma temporada em Granada (1870 – 1872) e, durante a estadia, pediu a um cigano de Sacromonte que posasse para ele, usando as roupas que, na época, eram identificadas com o estilo de vida cigano.

O cigano, que ficaria conhecido como Chorrojumo, descobriu que, vestindo aquelas roupas enquanto contava histórias sobre a Alhambra para turistas, ganhava mais dinheiro do que com seu trabalho normal.

Ele passou a ganhar a vida com isso. Sua estratégia deu tão certo que, logo, ele passou a ser chamado de “rei dos ciganos“.

Com o dinheiro ganho ele conseguiu trocar sua gruta em Sacromonte por uma casa de verdade, próxima à Alhambra.

Chorrojumo virou um dos personangens mais conhecidos da Granada do século XIX.

Outros ciganos, aproveitando-se de sua fama, começaram a usar aquele estilo de roupa para atrair turistas para suas grutas, onde faziam apresentações de sua dança, que ficou conhecida como zambra granadina.

Hoje existe uma estátua em homenagem à Chorrojumo na Cuesta del Chapiz, no começo da rua Caminho de Sacromonte, que é o princial acesso ao bairro.

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O que fazer em Sacromonte

São 4 os motivos principais para conhecer Sacromonte: as vistas para a Alhambra, na colina em frente; visitar a Abadia de Sacromonte; entender como é essa história de casas construídas em grutas; e assistir a um show do flamenco de Granada, a zambra, dentro de uma gruta.

Para ver a Alhambra, o mirador mais popular é o Mario Maya (ou Verea de Enmedio, nome da rua onde está localizado). Mas basta caminhar pela rua de acesso ao bairro, a Caminho de Sacromonte, para desfrutar uma vista parecida.

No Museu Grutas de Sacromonte é possível visitar dez grutas, que foram redecoradas para mostrar como se vivia e trabalhava nelas. O museu também desenvolve atividades culturais, ambientais e educativas.

Se o que você quer mesmo é conhecer a Abadia de Sacromonte, pode pegar o micro-ônibus da linha C34 no centro da cidade (Plaza Nueva), que vai te deixar direto (mas cuide que são 4 trajetos diferentes e só 2 vão até lá – detalhes aqui).

Zambra, o flamenco de Granada

Mas o que atrai mais gente a Sacromonte mesmo é a zambra.

No ritual de casamento, o primeiro baile é um Alboreá. O nome vem de alborada (alvorada). É o canto e dança da manhã das bodas.

Outro baile é a Cachucha, que, no ritual cigano, representa “o perdão”. Ele é dançado pelos noivos, e há um momento em que ele ajoelha-se, como que pedindo perdão aos pais da noiva por estar levando-a embora.

Mosca é o nome do bailado final, em que várias ciganas dançam em círculo e permitem a entrada das meninas e das senhoras mais velhas no meio do círculo ao mesmo tempo em que cantam “Mosca! Mosca! Mosca” (que significa “Voe! Voe! Voe!”).

Também são parte da zambra o Fandango do Albaicín e os Tangos de Sacromonte. Um pouquinho mais sobre essa história você encontra aqui.

Se você quiser assistir um espetáculo de zambra granadina, aqui estão duas sugestões de lugares bem tradicionais em Sacromonte.

O primeiro é a Cueva María la Canastera. María nasceu em 1913, cresceu em Sacromonte, tornou-se dançarina de flamenco famosa e, em 1953, na casa-gruta de sua prima, fundou sua própria zambra.

Por anos a família viveu na gruta que, à noite, transformava-se em casa de espetáculos.

Hoje é o filho de Maria, Enrique, o proprietário do local, e muitos dos artistas que lá se apresentam são descendentes dela.

O segundo é o Cueva de la Rocío, fundado por uma família de ciganos na mesma época.

Assim como a casa anterior, essa também ainda é gerenciada pela família dos fundadores.

Se você escutar a palavra zambra com um sentido diferente, provavelmente é uma referência ao termo como usado e disseminado por Manolo Caracol.

Esse sevilhano foi uma das pessoas que promoveu o flamenco ao redor no mundo no século XX.

Um de seus shows mais famosos, que combinava vários estilos de flamenco, era chamado Zambra. Por isso o termo acabou, de certa maneira, associado a qualquer estilo de flamenco.

Se, ao invés da típica zambra em uma gruta, você preferir um espetáculo de flamenco mais internacionalizado, posso sugerir o Jardines de Zoraya, no Albaicín.

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Foi o local onde amigos de Granada nos levaram no final de 2019. A experiência foi super agradável, com jantar com comida típica da região antes do espetáculo.

Para uma experiência mais cult com o flamenco, você pode ir até a Peña Flamenca La Platería.

Ou, de casa, assistir ao filme Bodas de Sangre (Casamento de Sangue).

Peñas Flamencas são clubes onde artistas reunem-se para assistir os melhores artistas de sua área. A La Platería abre para não-sócios nas quintas-feiras.

O filme Bodas de Sangre, do cineasta espanhol Carlos Saura, é inspirado na peça de teatro de mesmo nome escrita por Federico Garcia Lorca.

A peça de teatro de Lorca havia sido transformada por Antonio Gades em um espetáculo de dança. O filme de Saura, co-produzido por Gades, reproduz um ensaio final do espetáculo de dança.

Resumindo: o filme, que é um musical, é praticamente um show de flamenco.

Esse artigo da Fundação Antonio Gades explica detalhes da música e coreografia.

Uma longa tradição universitária

Dos 250 mil habitantes de Granada hoje, 60 mil são estudantes e outros 20 mil trabalham diretamente com as universidades, como pesquisadores, docentes ou corpo administrativo.

A principal escola é a Universidade de Granada (UGR), quarta maior da Espanha e um dos principais destinos de estudantes e professores que participam do Programa Erasmus, o maior programa de intercâmbio universitário do mundo.

A história dessa universidade começou há muito, muito tempo atrás.

Os Nazaries não construiram apenas lindos palácios. Eles também fundaram um centro de ensino que corresponderia ao que seria hoje uma universidade.

Os árabes chamavam essas instituições, onde se ensinava teologia, matemática, astronomia, medicina, filosofia, direito, etc, de madrazas.

A al-Madrasa al-Nasriyya (Univesidade Nazarí) colocou Granada no circuito de alto desenvolvimento do conhecimento árabe, ao lado de cidades como Marraquesh, Fez e Túnis, no norte da África.

Infelizmente, quando a cidade foi ocupada pelos cristãos, os livros de sua biblioteca foram queimados na praça Bib-Rambla.

E, com o passar do tempo, o prédio foi completamente alterado para o estilo barroco.

Da antiga arquitetura muçulmana restaram apenas alguns pedaços da fachada, o oratório e seu mirahb (nicho nas mesquitas, localizado na parede que fica voltada para Meca; os muçulmanos olham para o mirahb enquanto rezam).

Esse post do blog Arte Guias conta a história das madrazas e, em especial, da madraza de Granada. E tem fotos bem bonitas do oratório e do mirahb, que podem ser visitados.

O prédio onde ficava a madraza, que fica no centro de Granada, é hoje sede do Centro de Cultura Contemporânea da Universidade de Granada.

Embora a madraza tenha sido fechada quando os cristãos chegaram, e uma nova escola tenha sido fundada algumas décadas depois, a Universidade de Granada inclui, com orgulho, a madraza muçulmana como parte de sua história.

Os melhores bares de tapas da Espanha

Como toda a cidade universitária, Granada tem muitos bares.

Mas, lá, bares não são apenas frequentados pelos jovens, eles são um ponto de encontro para amigos e família, e são para a vida toda.

Talvez seja porque a cidade mantém a tradição de dar uma porção de comida de graça (os famosos tapas) cada vez que alguém pede um copo de bebida.

Vale para vinho e cerveja, mas, também, para refrigerante.

E como explorar o melhor dos bares e tapas de Granada? Na minha opinião, é possível dividir os bares em três tipos: os tradicionais-turísticos, os pega-turista e os bares locais, fora do circuito turístico.

Bares Tradicionais-Turísticos

Eles ficam, em geral, na região da Catedral e no bairro Realejo.

Os destaques são o Bodegas Castañeda e o Los Diamantes – eles nos foram indicados por amigos que moram na cidade e, também, aparecem na maioria das listas de melhores bares de Granada.

O Bodegas Castañeda fica perto da Catedral e é famoso pelo calicasa, uma mistura de vinhos doces produzidos ali mesmo.

O Los Diamantes, especializado em tapas de pescados e frutos do mar desde 1942, fica na Calle Navas, que é cheinha de bares.

Essa rua fica no bairro Realejo, um lugar interessante. Entre o rio Darro e a Alhambra, era onde os judeus viviam há cerca de dois mil anos atrás.

Depois os Nazaries viveram lá. Antes de construirem palácios na Alhambra, construíram um palácio onde hoje fica o Cuarto Real de San Domingo (que, depois da Reconquista, foi transformado em convento).

Por ali fica a minha rua favorita em Granada, a Calle Santiago. Ja pensou, que maravilha, ir na padaria de manhã com essa vista pra Sierra Nevada?

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E, também por ali, fica essa charmosa escadaria, que nos leva até a Alhambra e o Carmen de los Mártires.

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Pra concluir bem sua visita ao Realejo, vá até a Plaza Campo del Príncipe, a principal do bairro.

E não deixe de comer um churros, que é outra tradição da Espanha.

Eles não são recheados como os do Brasil, mas vem sempre com uma caneca de chocolate derretido, onde a gente mergulha a massa frita.

Experimente o do Café Futbol, na Plaza de Mariana Pineda, e o da Cafeteria Alhambra, na Plaza Bib-Rambla, dois dos mais tradicionais da cidade

Outro bar que recomendo nessa categoria é o Soria, também pertinho da Catedral. Os tapas são pequenos, mas deliciosos!

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Tapas pega-turista

Os pega-turista são as dezenas de bares de tapas que surgiram nessa mesma região e, por incrível que pareça, cobram preços mais altos do que os bares de tapa tradicionais sem apresentar a mesma qualidade, clima ou história.

Você sabe que está em um desses quando a bebida não for acompanhada de um tapa gratuito. Simples assim.

Os melhores: a gente chamaria de boteco 😉

Os meus bares preferidos são os da próxima categoria.

Fora do roteiro mais turístico, a bebida é barata, e praticamente todos os bares oferecem uma longa lista de tapas, da qual você pode escolher o que quiser.

Alguns exemplos são o Bar Bubion, perto do Parque Federico Garcia Lorca, o Bar Romero, no bairro residencial Cervantes, o El Pesaor, na região universitária, e o El Nido del Buho, perto da Plaza de Toros.

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As porções costumam ser generosas, e, os preços, ridiculamente baratos.

Normalmente é possível fazer uma refeição simplesmente pagando por duas ou três bebidas.

Se quiser uma porção extra de tapa, é só pagar um pouco mais: varia entre 2 e 5 euros.

Curioso para saber o que são essas porções de comida? Esse post lista os 20 tapas mais tradicionais de Granada, que variam de croquete a lula frita.

E, já que estamos falando de comida, não saia de Granada sem provar um pionono, o doce típico da região.

Bairro Beiro

Nas proximidades do Centro e do Albaicín ficam outros destaques da cidade: a Plaza de Toros e o Mosteiro La Cartuja.

As touradas, embora polêmicas, continuam sendo uma tradição popular na maioria das regiões da Espanha.

Granada, como muitas outras cidades, tem sua própria Plaza de Toros.

Touradas são, claro, o espetáculo principal. Mas concertos musicais e outros espetáculos também são realizados lá.

A apenas 1 km de distância fica o Mosteiro La Cartuja, cuja construção começou há cerca de 500 anos atrás, logo após a Reconquista.

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O post do blog Granadino Errante dá dez motivos para visitar La Cartuja. Eu fui até lá (adorei as ruas entre a Plaza de Toros e La Cartuja, cheia de laranjeiras), mas não entrei no prédio.

Concordo plenamente que a calçada da frente do prédio, em que a grama e o calçamento formam cenas de touros e lutas são super interessantes!

La Cartuja

Se você tiver tempo, vale a pena uma chegadinha até lá.

Arredores de Granada

La Alpujarra Granadina

As províncias espanholas subdividem-se em Comarcas. A Alpujarra Granadina é uma das 10 comarcas da Província de Granada.

A área é montanhosa e, enquanto a gente vai subindo pela estrada, vai vendo as pequenas cidades de casas brancas que se esparramam pelas montanhas.

Eu visitei três, em um passeio de carro que durou um dia: Lanjarón, Órgiva e Pampaneira.

Outros destinos comuns para quem faz essa rota são Bubion e Capileira.

Sierra Nevada

Para terminar, vamos falar de neve.

Embora esquiar não seja nosso primeiro pensamento quando falamos em Espanha, sim, é possível esquiar por lá. O país tem três áreas de esqui, uma delas a apenas 40 minutos de Granada.

O resort de esqui Serra Nevada, que fica na área da montanha mais alta da Espanha continental, o Mulhacen, conta com uma super estrutura de pistas, restaurantes e alojamento.

Do alto da montanha, vistas para o Mediterrâneo e para as Montanhas Atlas, que ficam no norte da África.

Esse artigo da National Geographic conta mais sobre a experiência de visitar a Alhambra, esquiar e, ainda, aproveitar a praia no Mediterrâneo em uma só viagem. Encantos da Andaluzia!