O arquipélago dos Açores é formado por nove ilhas e se estende por 650 quilômetros.

A ilha mais próxima da Europa é Santa Maria, que fica a 1.400 km de Portugal Continental.

No outro extremo fica Flores, a 2.000 km da costa canadense (Newfoundland).

As ilhas são parte de uma cordilheira submarina, a Dorsal Meso-Atlântica.

Essa foto mostra direitinho a localização dessas montanhas, no meio do oceano.

cordilheira meso atlanticaFonte: Mdig

As partes mais altas da cordilheira projetam-se além do nível do mar, formando várias ilhas. Entre elas, as nove que formam os Açores.

Desse total, oito surgiram exclusivamente da erupção de vulcões submarinos.

Pra entender como isso acontece, o jeito mais fácil é ver esse vídeo do YouTube. É sobre a erupção do vulcão de Capelinhos, em 1957.

As imagens mostram como a explosão de um vulcão submarino forma uma ilha. Ou, nesse caso, aumenta uma já existente.

Essa é uma das primeiras erupções que foi super bem documentada por jornalistas e pesquisadores do mundo inteiro.

Estudar novas ilhas vulcânicas como essa ajuda os cientistas a entender a formação das rochas e, até mesmo, o surgimento da vida na Terra.

Praias de areias escuras

Uma das características das ilhas vulcânicas é a areia escura de suas praias.

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É que uma das rochas vulcânicas mais comuns é o basalto. Ele é escuro, indo do cinza ao negro. E, asssim, a areia que se forma a partir da sua desintegração é escura.

Nessa praia em que tirei a foto, os framentos de basalto se misturaram com os de outras rochas, e, por isso, há várias cores misturadas.

E de onde vem mesmo as outras rochas? A gente aprende nas aulas de geografia e esse artigo, do Instituto de Geociências da USP, ajuda a relembrar.

Em resumo, tudo começa com as rochas ígneas, que se formam direto a partir do resfriamento do magma. O basalto é uma delas. Há várias outras, como a pedra-pomes.

Com o passar do tempo, as rochas ígneas vão se desgastando e se transformando em sedimentos, como a areia. Que vai se acumulando, às vezes em terra firme, às vezes no fundo do mar.

Ao longo dos séculos esses sedimentos transformam-se em novas rochas, chamadas de sedimentares. Um exemplo é o arenito.

Nos Açores, apenas uma ilha, Santa Maria, foi formada também por segmentação. A gente sabe disso porque ela é a única onde foram encontrados restos fósseis.

O terceiro e último tipo de rocha são as metamórficas. Alterações de temperatura e pressão em rochas de qualquer tipo podem produzir reações químicas, que levam à formação de novas. Um exemplo é o mármore.

Como acho o assunto interessante, estou colocando aqui também o link para uma aula de geografia, que explica direitinho tudo isso (em português, 7 minutos).

Fajãs

Outra característica das ilhas vulcânicas é a formação de pequenas extensões de terra planas à beira do mar, como aparece nessa foto, lá no fundo.

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Elas são chamadas de fajã, um termo antigo que significa “pequena extensão de terreno plano, susceptível de cultura, junto a uma rocha, geralmente à beira-mar, formada em regra por materiais desprendidos por quebradas ou acumulados na foz de uma ribeira e assentes quase sempre num banco de lava muito resistente.”

Tem muitas fajãs nos Açores. Essa, por exemplo, é a fajã lávida da Ferraria.

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Essa página do Observatório Vulcanológico e Geotérmico fala um pouquinho mais sobre ela e como ela se formou.

E dá pra entrar nos vulcões!

Primeiro de tudo: não precisa se assustar! Dizer que um vulcão é ativo significa apenas que houve pelo menos uma explosão nos últimos 250 mil anos. É muito tempo.

Além disso, antes de um vulcão entrar em erupção, há fortes tremores de terra. A terra tremeu por 12 dias antes do Vulcão de Capelinhos explodir, em 1957.

E os abalos sísmicos são constantemente monitorados nos Açores. Nesse site tem um registro de todos os tremores nos últimos dias. Sim, tem tremor o tempo todo, a maioria deles absolutamente inofensivos e imperceptíveis.

Um tremor de terra só vai começar a quebrar vidros e rachar paredes se ficar acima de 4 na Escala Richter.

O mais recente tremor sério nos Açores aconteceu ná quase vinte anos, em 1998. Ele atingiu magnitude de 5,8 e foi sentido nas Ilhas Faial, Pico e São Jorge. Aqui tem um artigo sobre isso.

Os açorianos não tem qualquer medo dos vulcões. Pelo contrário, usam sua força para muitas coisas, entre elas produzir energia geotérmica e cozinhar.

O Cozido das Furnas, por exemplo, é um prato feito em buracos na terra, na Ilha de São Miguel.

Tudo isso pra te dizer que dá para visitar Capelinhos ou qualquer outro vulcão do arquipélago sem medo de ser feliz!

A gente fez até piquenique dentro da cratera do Vulcão do Fogo, que entrou em erupção pela última vez em 1563.

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E esse post do “I love Azores” fala da visita guiada a outro vulcão, o Algar do Carvão, que fica na Ilha Terceira.

Casa dos Vulcões

Pra quem quer saber tudo sobre erupções, recomendo uma visita à Casa dos Vulcões (Observatório Vulcanológico e Geotérmico), na Ilha de São Miguel.

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A gente foi no final do passeio, depois de já ter visto vários vulcões ativos e extintos.

Foi bem legal, porque a gente conseguiu associar a teoria que o guia estava nos explicando com os lugares que a gente já tinha visitado.

O museu é pequenininho, a entrada é praticamente de graça (EUR 1,50) e o nosso guia era um açoriano apaixonado pelo assunto. Vale demais uma visita!

Pra saber mais

Escrevi dois outros posts sobre os Açores, específicos sobre a ilha de São Miguel. Eu passei uma semana lá e gostei muito! Aqui estão os links: