Um arquipélago formado por 9 ilhas com lindas paisagens vulcânicas. Um lugar onde a temperatura é sempre agradável, a comida é ótima e o povo é extremamente simpático. E que, ainda por cima, tem águas termais que curam.

Esse lugar existe e fica em Portugal, a 1.400 km de Lisboa e 2.000 km da costa canadense. Dá pra chegar lá de avião, com partidas da Europa, Estados Unidos ou Canadá.

chegar acoresFonte: Visit Azores

Também dá pra chegar de navio. Há vários cruzeiros que param nas ilhas.

Não é pra menos: as paisagens vulcânicas são espetaculares, as ilhas tem muito turismo de aventura, além de piscinas termais de “águas que curam” e uma culinária regional super interessante.

Nesse post vou fazer uma breve descrição de cada uma das nove, dar algumas dicas sobre o que fazer em cada uma e sugerir alguns roteiros para quem está planejando conhecer uma ou várias delas.

mapa acoresFonte: Ponta Delgada Táxi

São Miguel: um pouquinho de tudo

É a maior e mais estruturada das ilhas. Todo mundo que eu conheço que tinha tempo para ir a uma só escolheu essa. Eu, inclusive.

Os motivos são o acesso fácil e o fato de que nessa ilha a gente consegue ver um pouquinho de tudo que os Açores tem para oferecer.

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Nesse outro post eu conto sobre os 7 dias que passei em São Miguel. Foi uma delícia! Eles incluíram visitas a vulcões, banhos em águas termais e muita comida gostosa.

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Santa Maria: fósseis e rapel

Foi a primeira ilha a surgir, cerca de 8 milhões de anos atrás, e a primeira a ser descoberta pelos portugueses, em 1427.

É a única do arquipélago que, além de formação vulcânica, surgiu também a partir de rochas sedimentares. Nesse post eu explico melhor isso.

Logo após sua descoberta, a ilha deserta começou a ser povoada por famílias do Alentejo e do Algarve. Cristóvão Colombo parou lá com suas naus, em 1493, no retorno de sua primeira viagem à América.

Nos séculos XVI e XVII, Santa Maria foi alvo de piratas. Mas, depois disso, a ilha prosperou – graças à agricultura nos séculos XVIII e XIX e à aviação no século XX. A ilha era ponto de parada dos aviões que cruzavam o Atlântico até a década de 1960.

Hoje a ilha tem cerca de 5,500 habitantes. Esse post do blog “Alma de Viajante” tem uma sugestão de roteiro de 3 dias em Santa Maria. E aqui tem um link para os aventureiros: é sobre rapel na Ribeira do Maloás.

São Jorge: queijos

A ilha é a mais central do arquipélago. De lá dá para enxergar as outras 4 desse grupo: Terceira, Faial,  Pico e Graciosa.

Sua paisagem é marcada pelas fajãs (terras planas e cultiváveis à beira do mar).

Lá é produzido o Queijo São Jorge, um dos 5 produtos de Denominação de Origem Protegida (DOP) dos Acores.

Pra saber mais sobre essa ilha, sugiro esse artigo. Ele foi escrito por uma açoriana, que lista 30 coisas imperdíveis para fazer em São Jorge.

Ilha Terceira: Algar do Carvão

Ela tem esse nome porque foi a terceira ilha a ser descoberta. Hoje é a segunda em termos de população, com 56 mil habitantes.

Sua capital é Angra do Heroísmo. O centro histórico é considerado Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO desde 1983.

A maior atração turística da Terceira é o Algar do Carvão, uma chaminé vulcânica que pode ser visitada o ano todo.

Nesse post do “I love Azores” tem umas fotos bem legais desse passeio. E aqui tem um roteiro de 3 dias na Terceira.

Faial: vulcão de Capelinhos

Essa ilha tem 15 mil habitantes, o que faz dela a terceira ilha mais habitada do arquipélago. Sua capital é Horta.

Sua marina é o principal porto recreacional dos Açores e várias regatas internacionais acontecem por lá todos os anos.

Mas a grande atração dessa ilha é a Ponta do Capelinhos, a extensão de terra que surgiu da erupção do vulcão, em 1958.

Esse vídeo mostra como isso aconteceu. E como a paisagem se transformou num curto espaço de tempo.

A outra atração dessa ilha é a Caldeira. Ao contrário de outros crateras vulcânicas onde surgiram lagoas pelo acúmulo de chuvas, essa é seca. E dá pra passear lá dentro.

Pico: vinhos

É a segunda maior ilha e também a mais nova: surgiu há apenas 270 mil anos. Lá fica o ponto mais alto de Portugal, com 2350 metros de altura, a Montanha do Pico.

Dá para subir até o topo por uma trilha – que vai te tomar o dia inteiro! Mas dizem que a vista compensa.

A base da montanha está coberta por vinhedos. As uvas são cultivadas nos solos de lava preta, conhecidos como “lajidos”. Em 2004, a “Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico” passou a ser considerada Patrimônio da Humanidade.

Em 2010 foi inaugurado o Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico (CIPCVIP). Quem vai lá ganha uma visita guiada, que inclui os “currais” de vinha e de figueira, um armazém e um alambique tradicionais, e uma caminhada pelos “lajidos”.

Pra conhecer os vinhos da ilha, clique aqui.

Outra especialidade é o Queijo do Pico, outro dos cinco produtos de Denominação de Origem Protegida dos Açores.

Graciosa: a menos visitada pelos turistas

Ela é considerada a mais rural das ilhas. O acesso é um pouco restrito.

Para chegar lá, tem que sair da Terceira. A SATA, companhia aérea mais antiga de Portugal, tem um vôo diário (duração de 20 minutos).

A outra opção é um barco local que faz regularmente o trajeto. Nesse caso, a viagem dura 3 horas.

Quem vai à Graciosa normalmente visita a Furna do Enxofre, uma caverna lávica, e as Termas do Carapacho, estação termal com águas sulfurosas entre 36 e 40 graus. A ilha também é um bom ponto de mergulho.

Esse post do blog “Pumpkin” é especifíco sobre a Graciosa e dá todas as dicas sobre o que visitar por lá.

Flores: a mais bonita?

Ela é considerada uma das mais bonitas dos Açores. Dentro da Caldeira das Flores há sete lagoas. E são incontáveis as cascatas e penhascos na ilha.

Esse post do blog “Jo Land” tem umas fotos bonitas e fala sobre como explorar a ilha.

Na Fajã Grande, além do por do sol no restaurante Maresia, vale a vista para o ilhéu de Monchique, o ponto mais ocidental da Europa.

Corvo: a menor e mais remota

A menor ilha é formada por apenas um vulcão extinto. Ela tem menos de 500 habitantes, apenas uma cidade, um hotel, um restaurante, uma farmácia, uma escola e assim por diante.

Normalmente, quem visita o Corvo faz um bate-e-volta a partir de Flores. Mas aqui tem um texto que chega a ser quase poético sobre a pequena ilha e que me deu vontade de passar uns dias por lá.

Como montar um roteiro pelos Açores

Para chegar no arquipélago, há opções de vôos saindo de Portugal e de mais 9 países. Com exceção dos vôos que saem de Portugal, todos os outros vão para São Miguel ou para a Terceira.

Quem chega em São Miguel pode ficar só lá, já que a ilha é grande e tem muito o que fazer. Eu fiquei 7 dias.

Já a Terceira é menor. Não estive lá ainda, mas parece que 3 ou 4 dias são o suficiente.

Em qualquer um dos casos, é possível usar os serviços locais de avião e navio para se deslocar entre as ilhas. Eu falo mais sobre isso no final do post.

Já quem voa de Lisboa vai ter outras 3 opções de vôo direto: Santa Maria, Faial e Pico.

Santa Maria fica perto de São Miguel, então acho que um passeio legal pra quem sai de Lisboa (ou volta para lá) é aproveitar para conhecer as duas. Dá pra ir até uma delas, ir para a outra usando o transporte local e voltar da outra.

A outra opção para quem sai de Lisboa são os vôos para Faial ou Pico, que ficam no grupo central. Essas duas ilhas, junto com São Jorge, formam o chamado “triângulo”. A Atlantico Line tem uma linha regular de barcos entre essas 3 ilhas que funciona o ano todo. Rápido e fácil. Quem voa para uma, pode conhecer as três.

Quem quiser conhecer as outras 3 ilhas (Corvo, Flores e Graciosa) vai precisar dedicar um pouco mais de tempo para o deslocamento, usando o transporte local.

Como conhecer as outras ilhas

Flores e Corvo estão isoladas das outras, no extremo ocidental do arquipélago.

Para chegar lá de barco, só no verão, quando a Atlantico Line opera a rota amarela. Essa imagem é do site deles. Para saber mais, clique aqui.

acores rotasFonte: Atlantico Line

 

Mas, estando em uma delas, é fácil visitar a outra. Em 2018, por exemplo, o trajeto acontece duas vezes por semana no período de janeiro a abril (baixa temporada).

Para chegar na Graciosa de barco tem que esperar a alta temporada e a rota amarela também.

A outra opção é ir de avião, com vôos da Açores Airlines (que pertence à SATA). Ela tem vôos ligando as nove ilhas. Eles custam em torno de 50 euros.

Dá também pra montar um roteiro combinando barco e avião. Por exemplo: pegar um vôo de Faial até Flores, depois um barco até Corvo. E, de lá, pegar um vôo direto de Corvo para a Terceira.

A Açores Airlines também tem um Air Pass Açores, que permite fazer vários trechos entre as ilhas. Não consegui achar muitas informações sobre ele, só o que está no final dessa página.

Uma última dica: parece que dá para chegar nos Açores por uma ilha e voltar por outra e ganhar o vôo interno de graça. Espia esse site para saber mais sobre isso.

Pensando num cruzeiro? Esse link mostra as empresas que passam pelas ilhas.

Pra terminar

Politicamente, os Açores são considerados uma regiao autônoma de Portugal. Isso significa que o arquipélago tem órgãos regionais próprios, mas não é totalmente independente das instituições nacionais.

O clima das ilhas é instável, as pessoas brincam que nos Açores é possível vivenciar as quatro estações do ano em um dia só.

Mas a temperatura não varia muito: a média é 14ºC no inverno e 22 ºC no verão. Sempre agradável!

Em termos culturais, existe uma ligação muito próxima do arquipélago com o Brasil, em especial com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

É que a partir de 1650, muitos açorianos imigraram para o Brasil. Esse movimento continuou até o começo do século XX.

Deu vontade de saber mais? O Globo Repórter fez uma matéria super legal sobre o arquipélago, que pode ser acessada aqui.

Pra saber tudo sobre trilhas nos Acores, sugiro esse link do Visit Azores.  E pra saber  mais sobre a história de cada ilha, visite o site I love Azores e essa edição da revista “A Próxima Viagem”.